domingo, 14 de outubro de 2018

Um alerta para a saúde pública!


VIGILANCIA SANITÁRIA E O AÇAI EM PARAUAPEBAS








 Em destaque no jornal FOLHA DE SÃO PAULO, a questão da transmissão da Doença de Chagas por via oral, a forma mais letal da doença, chamou a atenção para a quantidade de batedores ou revendas espalhados por toda a Parauapebas. São centenas de pontos de venda do Açai e é claro, acreditamos que a imensa maioria esteja sem a devida autorização da Vigilância Sanitária local. E temos razões explicitas para acreditar que é assim, temos denunciado ano após ano, a compra de comida estragada nos supermercados locais, carne em açougues cuja maioria também não são fiscalizados e até mesmo padarias, lojas de sorvete, frios, etc. é uma entidade burocrática, relativamente acomodada.





Os casos dos batedores e vendedores de Açai é grave porque é um caso especifico o de saúde pública, ou seja, responsabilidade direta do órgão fiscalizador. Essa forma de transmissão da doença pode ser evitada e ainda assim temos tantas vidas sendo perdidas por falta de fiscalização.

A situação é grave, os casos triplicam. Poderia uma ação preventiva da Vigilância Sanitária local conter essa onda? Achamos que não, e temos razões para acreditar nisso: a interferência política nas ações de governo. Muitos serão notificados e nada farão, até a onda de vigilância passar. Outros serão protegidos por padrinhos políticos, vereadores, os donos do poder local, etc.



Pode ser adotado um procedimento mínimo, focado apenas no essencial para a liberação, evitando assim o encerramento de um pequeno ou médio negócio que salva a renda de famílias inteiras. Acredito que uma associação que represente todos os interessados poderia estar dialogando com a prefeitura e acertando um calendário comum de adequação de seus negócios as normas sanitárias municipais.

Mas precisa de ação pública e precisa de reação dos empreendedores, em fazer seus negócios dentro da lei, respeitando a saúde dos seus clientes.



Nossa empresa dispõe de profissionais que podem facilitar a documentação e procedimentos exigidos pela Vigilância Sanitária no processo de legalização dos negócios com Açai, do pequeno, médio e grande empreendedores. Façam contato conosco, temos o melhor preço e a maior agilidade na resolução de problemas de negócios, em diversas áreas, desde o licenciamento ambiental local ao suporte a selos nacionais de liberação e circulação de alimentos e espécies vegetais. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Quem fala por nós, Parauapebas


Os candidatos ou o eleito
Porque precisamos manter Gesmar em Belem, 






Relutando em escrever sobre mais essa campanha eleitoral com estupendos oito candidatos na cidade, a federal e estadual. Nossa, oito candidatos! É demais, oito para disputarem cerca de cento e quarenta e dois mil votos. Em tese ninguém ganha porque ainda tem os de fora. Tem ainda aqueles que iniciam sua corrida pelo teto e não chegam nem à metade da campanha.
Mas não quero falar da campanha nem dos oito candidatos ou aventureiros que, graças a nossa grana – a porra do fundo partidário é nossa grana, se aventuram pensando na prefeitura mais tarde ou mesmo na vereança.

Quero falar de um candidato em particular, Gesmar Rosa: “...olha, na hora de preparar o orçamento anual é que se vê quem tem força, uma região com um, dois candidatos ou aquelas que são realmente representadas, como a metropolitana. Câmara de deputados é algo familiar, tem pessoas com três, cinco mandatos, tem pessoas que são netos de antigos deputados, na verdade temos uma democracia oligarquizada...”
“Tentei, continua o deputado, aprovar noventa e duas emendas no orçamento e fui derrotado em todas, passando apenas duas, e dessas uma é nova rubrica orçamentaria: energia solar para Parauapebas e Xinguara: novecentos mil reais, num orçamento de 142 bilhões. Quando votarem pensem nisso, ele diz, se colocando à disposição iniciando sua campanha a reeleição”. Me pergunto por que então, todos não se envolveram na sua campanha à reeleição e no seu próprio partido foram lançados dois candidatos a mesma vaga de deputado estadual? Somos burros demais, estamos realmente partindo para o quanto pior, melhor? Ou estamos apenas defendendo nossos quadrados e foda-se o resto?

Gesmar é gestor competente, em dois anos à frente do SAAEP, nosso malfadado serviço de águas, porque esgoto nunca tivemos, causou uma pequena revolução gerencial: nunca faltou água, deu conta de suprir toda a população com o liquido da vida, criou expectativas sobre como podemos ter água sim, de qualidade se houver planejamento, foco e gestão.
esta faltando água novamente.

Qual a participação do então prefeito no naquele processo? Nenhuma. Quando pode, mandou tirar o excelente gestor do SAAEP e loteou a companhia das águas no acordo político para os vereadores se acalmarem e mantê-lo no cargo de prefeito.
Gesmar foi deslocado e por onde passou mostrou serviços de excelência. Aliás em toda sua vida aqui em Parauapebas deu conta do que se propôs.

CAMPANHA RAPIDA

Teremos uma campanha curta e de folego, portanto é importante que todos entendam o papel do deputado estadual na vida de uma comunidade. O orçamento do estado supre o da prefeitura local e determina ações de governo geral. Um representante que tenha trânsito e entenda a máquina é uma dianteira considerável. Não precisamos recomeçar, precisamos manter e ampliar. Votar em quem está fazendo bem um serviço é retribuição, é participação.
Quando expõe seu trabalho percebe-se o nível em que ele acontece. Precisamos pesquisar e conhecer em quem votamos.







Acesse os serviços de uma consultoria que faz parte da historia de Parauapebas

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

O Pará e a mineração

Pará dominará a mineração

         Produção do Estado do Norte do país deve ser maior do que a mineira nos próximos anos





O texto da jornalista Juliana Contijo, publicado em 01/07/2018, no jornal O Tempo, é o retrato fiel do momento em que passa a mineração no Brasil e no mundo. AS expectativas dessa ultrapassagem iniciam-se quando a imensa província mineral de Carajás foi descoberta e sedimenta-se com a inauguração de Canaa dos Carajas do Complexo Minerador Eliezer Batista como esta bem definido no texto. Viemos de Minas para cá há mais de vinte e cinco anos e temos assistido, estudado e analisado o vertiginoso crescimento da mineração no Pará. Atenção, na selva amazônica, longe de tudo e todos. O porto de Itaqui fica a novecentos quilômetros daqui, muito mais distante do Espirito Santo ai em Minas. O Pará não esta ganhando com a mineração, na troca simples de ativos naturais com ativos financeiros a perda é tremenda. Parauapebas, a cidade com o maior PIB do Brasil não tem nada, esgoto a céu aberto, muita miséria e desemprego, apesar de ser moderna e cosmopolita. A saúde em frangalhos, educação largada às moscas e uma classe politica que é caso de politica. Sem participação popular e sem ousadia logo também o Pará estará numa situação humanitária preocupante. Vamos ao texto. (Comentários do autor do blog)





Fonte:O tempo – 01/07/18 – 17h24 (leia na íntegra)

Gigante. A Vale, maior produtora de minério de ferro do Brasil, pode ampliar a extração no Pará e, com isso, Minas perderia a liderança


Se, na siderurgia, Minas Gerais está ficando para trás, o mesmo está prestes a acontecer na mineração, outra grande força da economia que está, inclusive, no nome do Estado. A liderança no valor da produção mineral brasileira (PMB, que é a soma de todos os bens minerais produzidos no país) está ameaçada pelo Pará. Neste ano, até maio, Minas detinha 43,3% dos ganhos financeiros da atividade, enquanto o Pará participava com 40,08%. A diferença entre os dois Estados vem diminuindo nos últimos anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Para especialistas no setor, é questão de tempo para que Minas perca seu histórico primeiro lugar.

No ano passado, as minas do Pará tiveram recorde de produção de minério de ferro, conforme dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) do Pará. Foram 169,15 milhões de toneladas, volume 14,2% maior do que em 2016. Cerca de 60% dos ganhos financeiros do setor mineral vêm da extração de minério de ferro, segundo a gerente de pesquisa e desenvolvimento do Ibram, Cinthia Rodrigues. “A vantagem de Minas Gerais é sua diversidade de bens minerais. O Estado tem também ouro e nióbio, que são bem valorizados”, diz.

O consultor de relações institucionais da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Waldir Salvador, aposta que a produção de minério paraense possa superar a mineira em menos de um ano. Para ele, a data pode não ser precisa, mas o fato é certo. “O teor de ferro do minério no Pará é maior. Além disso, existe a vantagem logística. O Estado está mais próximo de um porto, no Maranhão, e é mais fácil escoar a produção”, observa.

A estratégia da Vale também impulsiona o crescimento da extração de minério de ferro no Pará, segundo o pesquisador da diretoria de estatística e informações da Fundação João Pinheiro (FJP), Thiago Almeida. Ele explica que a mineradora decidiu priorizar a produção no sistema Norte, no Pará, e reduzir no sistema Sul-Sudeste, em Minas. “As minas do Estado são mais antigas e com maior custo de produção. Logo, é razoável pensar que a produção do Pará possa igualar ou ultrapassar a de Minas Gerais”, analisa.

Para Almeida, isso só não vai acontecer se a mineradora decidir mudar essa estratégia. Foi em dezembro de 2016 que a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, inaugurou o projeto batizado de S11D Eliezer Batista, em homenagem ao ex-presidente da empresa e pai de Eike Batista, em Canaã dos Carajás, no Pará. Agora, está lá a maior operação da empresa.

O pesquisador da FJP ressalta que o desempenho da indústria mineral em Minas também é influenciado pela paralisação das operações da Samarco – suspensas desde novembro de 2015, após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

O engenheiro de minas Wilson Trigueiro de Sousa, professor aposentado da Universidade Federal de Ouro Preto, também não descarta a possibilidade de o Pará superar Minas. “A produção do Pará é crescente – não apenas de ferro, mas de outros minérios”, observa.

Concentração

Líderes. Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em 2016, 86,9% do valor da produção mineral do país foi proveniente dos Estados de Minas Gerais e Pará.

Investimentos do setor terão cortes nos próximos anos

Os investimentos privados no setor mineral brasileiro devem voltar a crescer. É o que mostra um levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O desembolso das empresas deve chegar a US$ 19,5 bilhões no período 2018-2022. A estimativa anterior, para o quinquênio de 2017 a 2021, previa US$ 18 bilhões, o nível mais baixo dos registros do Ibram. “Como são investimentos de longo prazo, fazemos os cálculos para períodos de cinco anos”, observa a gerente de pesquisa e desenvolvimento do Ibram, Cinthia Rodrigues.

Ela explica que em setembro será feita a revisão dos números projetados para o intervalo de 2018 a 2022. “Nesse momento, vamos poder analisar o impacto da mudança regulatória nos investimentos”, analisa.

Essa mudança foi consolidada no último dia 12 de junho, quando o presidente Michel Temer assinou decretos alterando o Código de Mineração, que era de 1967. O advogado especialista na área Raphael Boechat avalia essa atualização como positiva. “Trouxe segurança jurídica, e isso incentiva investimentos”, analisa.

Conforme dados do Ibram, no período de 2012 a 2016 o investimento foi de US$ 75 bilhões, praticamente quatro vezes mais que o esperado entre este ano e 2022. “Era outro momento da economia. Naquela época, o preço internacional do minério estava em alta, a China estava comprando, e a economia do Brasil estava aquecida”, explica.

Presença

Fatia do PIB. O setor de mineração é responsável por 4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em Minas Gerais, a atividade está presente em cerca de 400 municípios.

Produção da Vale recua 4,9% em 2018

A produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre deste ano diminuiu 4,9% em relação ao mesmo período de 2017, nacionalmente. Em Minas Gerais a queda foi ainda maior, 18%. No ano passado, a companhia teve produção recorde de minério, com 366,5 milhões de toneladas, uma alta de 5,1% frente a 2016. O resultado foi fruto do desempenho do S11D, no Pará, conforme relatório da companhia. Também contribuiu para o resultado o incremento da produção na planta Conceição I, no Sistema Sudeste.


sábado, 7 de julho de 2018

Brasil, go home


Trapaceiros

Como sempre esquecem as elites que o mundo tem olhos












Todos no mundo da bola sabiam que se o trapaceiro Neymar dominasse a essência do Tite Guru o time e toda a seleção brasileira estariam perdidos. De onde tiraram que esse menino minado chamado Neymar é referência da seleção brasileira e em torno dele todos esses bons jogadores deveriam jogar?

Coutinho começou brilhando em dois jogos, mudou-se o esquema tático para inibir seu brilho e dar luz a um jogador covarde e mentiroso, sempre simulando machucados e ferimentos para não enfrentar o momento de decisões.

Interessante notar que contra o México não sentiu dores mas no aperto contra a Bélgica, reclamou. Não acredito que um jogador com todo esse aparato médico e cuidados sofra tanto num campeonato ao nível de uma copa do mundo

Ou nossos dirigentes como sempre erraram, permitido o tresloucado ato técnico de convocar e manter tantos jogadores machucados. Ou colocar uma carga excessiva de trabalho físico preparatório.

A elite dos preparadores e suporte do técnico Tite, com uma natural e assustadora empáfia decidiram que a copa seria ganha por eles e para eles. Esqueceram desde o Brasil  que a nação brasileira, ou melhor, nós os mais pobres, quem pagamos todo o aparato milionário em torno deles e somos para quem trabalham.

Não entregaram o que precisavam entregar, falharam miseravelmente quando se precisou deles no cenário de distração ao essencial de uma nação fragmentada e em retirada.

Nossos palhaços de agora, os modernos bobos da corte – jogadores de futebol em cena na esperança da tragédia grega, uma história que não tivesse como prever o final, agora falham dentro do próprio enredo.

Porque no caso do futebol do Brasil está sendo totalmente previsível o final:  nervosismo, incompetência, falta total de gerenciamento psicológico e controle emocional – virou regra nos últimos anos a mesma reação covarde no outrora esporte das massas.

Ao DOMINAR a consciência de Tite, este reagindo ao medo pavoroso de ser questionado por sua falsa estrela ou astro aos pedaços, Neymar naufraga o sonho da elite golpista, de ter uma copa do mundo no curriculum ou como troféu de desesperança.

Não adiantaria de nada, logo após ao circo todos voltariam a pensar no LULA na cadeia e no quanto estamos pagando por esse golpe canalha.

Torcer contra uma seleção rica, estrangeira e gerenciada por canalhas não é nenhum mal. Essa seleção não representa nosso Brasil, são uns usurpadores de merda, num circo onde tudo rescende a covardia, conluios, crimes e sacanagem.

Ainda bem que estamos fora, que a farsa caiu com Neymar que nos envergonha com suas fraudes obvias – igual aos golpistas bandidos, que frauda nossa vida a toda hora.

Falo de nós que pagamos as contas e lutamos para nos reeducar quanto a nossa alma e essência corruptas, herdadas de gerações e gerações de escravocratas santinhos e brancos racistas e mentirosos.

Bendita derrota, bendito esquema da FIFA, bendita Bélgica!

Agora podemos voltar a antiga pauta: LULALIVRE!

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Nova revolução industrial


Empresários negociam ampliar parceria com alemães sobre indústria 4.0

Conceito se refere à revolução das chamadas fábricas inteligentes

Publicado em 27/06/2018 - 15:41

Por Agência Brasil Brasília





No 36º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA), em Colônia, na Alemanha, um grupo de empresários brasileiros apresentou proposta para ampliar o projeto-piloto de digitalização da indústria nacional e alemã. O projeto é resultado da parceria de 13 grandes empresas, seis brasileiras e sete alemães, em busca do salto de produtividade previsto com a indústria 4.0.

Na indústria 4.0, a internet está no centro da automação industrial (Governo do Espírito Santo/Divulgação)

A indústria 4.0 ou Quarta revolução Industrial é um conceito que se refere à prática das chamadas “fábricas inteligentes” com estruturas modulares, sistemas que monitoram os processos físicos, criando uma espécie de cópia virtual do mundo físico, e orientando decisões descentralizadas. A internet está no centro do sistema.

O projeto de parceria do Brasil com a Alemanha reúne Embraer, Totvs, WEG, Ioschpe, WEG, Eurofarma, Siemens, Bosh, SAP e Festo, entre outras. A cooperação entre os setores privados do Brasil e da Alemanha busca também aumentar as tecnologias digitais em pequenas e médias empresas (PMEs) e a criação de métodos de treinamento para a indústria 4.0.

Mudança de modelo

No acordo, há proposta para desenvolver cursos técnicos e superiores para formar profissionais preparados para lidar com as necessidades da transformação digital, assim como a demanda de empresas internacionalizadas.

Em nome dos empresários brasileiros, a proposta de ampliação da parceria com os alemães foi detalhada pelo vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Tigre, durante o encontro em Colônia. O evento reuniu 500 empresários, entre eles 260 brasileiros.

O gerente-executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio Gonçalves, disse que a nova revolução industrial no Brasil permitirá ganhos de produtividade, aumento da eficiência e integração da produção, mas também vai exigir mudança de modelos de negócio das empresas.

Para João Emílio Gonçalves, são necessários o estímulo à adoção e ao desenvolvimento de novas tecnologias, além da expansão da infraestrutura de banda larga, mudanças na regulação brasileira e treinamento dos recursos humanos.

Participaram do encontro, os presidentes das federações estaduais das indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Amaro Sales de Araújo; de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte; do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Petry; de Roraima (Fier), Rivaldo Neves; do Maranhão (Fiem), Edílson Baldez; e de Minas Gerais (Fiemg), Flavio Roscoe.

Saiba mais


Edição: Davi Oliveira


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Cotas muito bem vindas

 Cotas foram revolução silenciosa no Brasil, afirma especialista


UnB foi a primeira universidade federal a adotar sistema de cotas raciais UnB reserva vagas para negros desde o vestibular de 2004 Percentual de negros com diploma cresceu quase quatro vezes desde 2000, segundo IBGE/Marcello Casal jr/Agência Brasil 


Publicado em 27/05/2018 - 08:15
Por Débora Brito – Repórter da Agência Brasil Brasília




A chance de ter um diploma de graduação aumentou quase quatro vezes para a população negra nas últimas décadas no Brasil. Depois de mais de 15 anos desde as primeiras experiências de ações afirmativas no ensino superior, o percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação cresceu de 2,2%, em 2000, para 9,3% em 2017.

Apesar do crescimento, os negros ainda não alcançaram o índice de brancos diplomados. Entre a população branca, a proporção atual é de 22% de graduados, o que representa pouco mais do que o dobro dos brancos diplomados no ano 2000, quando o índice era de 9,3%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Censo do Ensino Superior elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) também evidencia o aumento do número de matrículas de estudantes negros em cursos de graduação. Em 2011, do total de 8 milhões de matrículas, 11% foram feitas por alunos pretos ou pardos. Em 2016, ano do último Censo, o percentual de negros matriculados subiu para 30%.

“A política de cotas foi a grande revolução silenciosa implementada no Brasil e que beneficia toda a sociedade. Em 17 anos, quadruplicou o ingresso de negros na universidade, país nenhum no mundo fez isso com o povo negro. Esse processo sinaliza que há mudanças reais para a comunidade negra”, comemorou frei David Santos, diretor da Educafro - organização que promove a inclusão de negros e pobres nas universidades por meio de bolsas de estudo.

O professor Nelson Inocêncio, que integra o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), pioneira na adoção das cotas raciais, também destaca o crescimento, mas pondera que é preciso pensar outras políticas para garantir uma aproximação real entre o nível de educação de negros e brancos.
 

"Eu sou esperançoso de que a política de cotas, mesmo com seus problemas, ao final consiga um êxito. Que a gente consiga tornar a presença negra um pouco mais significativa nesses espaços tão historicamente embranquecidos", disse Nelson Inocêncio - Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Antes de falar em igualdade racial, temos que pensar em equidade racial, que exige políticas diferenciadas. Se a política de cotas não for suficiente, ainda que diminua o abismo entre brancos e negros, a gente vai ter que ter outras políticas. Não é possível que esse país continue, depois de 130 anos de abolição da escravatura, com essa imensa lacuna entre negros e brancos”, destacou Inocêncio.


Diferenciar para incluir
Há 15 anos, o conceito de ações afirmativas para inclusão de negros na educação superior motivou intenso debate no meio universitário. Em junho de 2003, decisão tomada pela Universidade de Brasília (UnB) de adotar o sistema de cotas raciais em seu processo de seleção abriu caminho para uma mudança no paradigma de acesso à universidade, antes fortemente baseado na meritocracia.

O Plano de Metas para Integração Social, Étnica e Racial aprovado pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB previa que 20% das vagas do vestibular seriam reservadas para estudantes negros, de cor preta ou parda. A política foi adotada a partir do vestibular de 2004, em todos os cursos oferecidos pela universidade.

À época relatora do projeto, a professora do Departamento de Comunicação da UnB Dione Moura conta que a implantação do sistema se deu em meio a muitas resistências e sob críticas de que a política de ação afirmativa poderia criar um conflito racial inexistente no país ou diminuir a qualidade da universidade.

"O projeto das cotas na UnB foi um dos mais desafiantes que eu trabalhei como profissional, cidadã, mulher e negra", diz a professora Dione Moura, do departamento de Comunicação Social - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um dos principais desafios, segundo a professora, foi convencer os veículos de imprensa, a sociedade e a própria academia de que era necessária uma política pública específica para negros e não para a população pobre de forma geral. Mesmo diante dos números de desigualdade racial na educação e no mercado de trabalho, questionamentos e dúvidas emergiram, principalmente com relação à forma de identificação dos negros e ao reconhecimento do problema do racismo.

“O Brasil tinha uma ideia de políticas públicas como universalistas, não tinha ideia de políticas regionais, por gênero e raça. O recorte de renda era o único indicador reconhecido como legítimo para ações pontuais. Uma política de ação afirmativa exclusiva para a população negra brasileira foi colocar o dedo na ferida, causou um grande rebuliço”, lembrou Dione, uma das poucas professoras negras da universidade.
Outras resistências foram quebradas, como a ideia de que o negro de alta renda não deveria ser beneficiado, de que os cotistas abandonariam a graduação ou que teriam desempenho inferior aos de alunos não cotistas. “Já se verifica que esses estudantes são tão capazes quanto os demais ou ainda têm um desenvolvimento muito melhor. Nesse sentido, não há dúvida da capacidade dos cotistas, porque eles já demonstraram isso e pesquisas também têm revelado”, destacou o professor Manoel Neres, coordenador do Centro de Convivência Negra da UnB.
“O resultado social negou os preconceitos. A UnB abriu as portas para que outras universidades se abrissem para o jovem negro e o jovem indígena e que depois o próprio governo federal abrisse uma política nacional para discutir as cotas no sistema público universitário”, completou Dione Moura.
Frutos
Aos 31 anos, a antropóloga Natália Maria Alves Machado, integrante da primeira turma de cotistas da UnB, em 2004, avalia que a adoção do sistema foi um marco histórico que levou a sociedade a refletir sobre algumas regras e revisá-las em prol da justiça e dos direitos coletivos.
Natália foi a primeira integrante de sua família a ingressar em uma universidade pública federal e conta que a experiência foi muito desafiadora.
Ela relata que no início foi difícil lidar com o assédio da imprensa e, ao mesmo tempo, ter de se adaptar à nova rotina e às responsabilidades do mundo acadêmico, como encontrar recursos para alimentação, transporte e material de estudo. Para se manter financeiramente, ela contou com a assistência estudantil da universidade, fez estágio e pesquisas.
“A primeira turma visualmente tinha poucas pessoas negras. A gente ficava diluído ali preocupado com as exigências do espaço universitário. O que mais chamava atenção era o assédio da mídia, muita gente abordava para dar entrevista. Depois, em um segundo momento, muitos pesquisadores estavam desenvolvendo análises sobre a política. A gente sabia que tinha uma dinâmica muito forte acontecendo e foi amadurecendo.”

“Por mais que nossa presença ainda seja diminuta no espaço acadêmico, é emocionante ver muito mais cores e formas, corpos, estéticas, símbolos e culturas diversos. A universidade se tornou um espaço muito mais rico e instigante”, diz a mestranda Natália Machado - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Depois de se formar, Natália ingressou no mercado de trabalho como autônoma, prestando assessoria a movimentos sociais na área da saúde. Hoje, é mestranda na UnB e faz pesquisas na área de direito à saúde, bioética e acessibilidade.

Após vários anos frequentando os bancos da universidade, ela relata que se orgulha de ver a diversidade estética nos espaços da UnB e, principalmente, no modo de fazer pesquisa.

“Os estudantes indígenas e negros e negras que adentraram o espaço acadêmico nos últimos 15 anos trouxeram um refresco de inovação metodológica, teórica, epistemológica sem precedentes, de ampliar e aprofundar o conhecimento, trazendo muito mais verdade e justiça”, avaliou.

“Por mais que nossa presença ainda seja diminuta no espaço acadêmico, é emocionante ver muito mais cores e formas, corpos, estéticas, símbolos e culturas diversos. A universidade se tornou um espaço muito mais rico e instigante”, completou.



Mudanças
A percepção de mudança no visual da universidade é compartilhada por colegas contemporâneos. O cientista político Derson Maia, 29 anos, conta que também foi o primeiro de sua família a conseguir ingressar em uma universidade. Ele passou no vestibular de 2008 por meio do sistema de cotas e diz que percebe o aumento considerável no número de negros nos últimos anos.

“Mesmo com cotas, você via pouquíssimos negros na universidade. Na minha turma de ciência política era eu e uma outra menina. Quando eu estava me formando, em 2014, eu comecei a notar que a universidade realmente estava ficando bem mais negra, com pessoas de outras classes sociais mais baixas, porque antes era muito difícil. O negro que eu convivia ao longo do curso era estrangeiro”, lembrou Derson.



“As ações afirmativas produziram algo que é realmente inédito na universidade, que é trazer esse olhar diverso para dentro da academia”, avalia o cientista político Derson Maia - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O cientista político ficou sabendo das cotas quando estava no primeiro ano do ensino médio. Um grupo de universitários negros visitou a escola pública onde ele estudava para apresentar o sistema aos futuros vestibulandos. Na sala de aula, ele era um dos quatro negros em uma turma de 40 alunos.

“Eu não tinha aquele medo do que seria na universidade, porque eu já via outros negros falando sobre as cotas e que seriam um caminho importante”, lembrou.
Depois da graduação, Derson fez mestrado em políticas públicas e, atualmente, é doutorando da Faculdade de Direito da UnB – edital no qual foi selecionado por meio de cotas.
“Eu acho que as ações afirmativas produziram algo inédito que é trazer esse olhar diverso para dentro da academia. Se a gente quer ter uma universidade que faça inovação científica, tecnológica, você precisa abrir para a diversidade. Assim, [ao incluir] pessoas negras que vieram de uma outra realidade, de uma realidade de periferia, você acaba inserindo novos olhares para o mesmo problema e vai desenvolvendo novos caminhos. Eu acho que a universidade passou a ser uma outra UnB”, destacou.

Longa trajetória

UnB reserva vagas para negros desde o vestibular de 2004 - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A aprovação do projeto que instituiu o sistema de cotas raciais na UnB foi resultado de um longo processo de articulação de integrantes do movimento negro, com especialistas e representantes do Poder Público.

Um dos marcos que precederam a adoção das cotas no Brasil foi a 1ª Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Formas Conexas de Intolerância, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001. A conferência motivou as personalidades negras brasileiras a reforçarem o debate das ações afirmativas para negros no Brasil, que se tornou, na ocasião, signatário do compromisso de combate a todo tipo de discriminação racial.

Ainda em 2001, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) abriu caminho para a implantação do sistema no ensino superior. No ano seguinte, a Assembleia Legislativa do estado promulgou a lei que instituía o sistema de seleção por cotas para todas as universidades estaduais.
Em 2003, a UnB foi a primeira instituição federal a oficializar a opção pelo sistema de reserva de vagas para negros. Quase dez anos depois, em 2012, o governo federal instituiu a Lei de Cotas Sociais e Raciais para todas as universidades do país e, em 2014, para concursos públicos.


Fonte: UnB - dados de 2018

Presença

UnB foi a primeira universidade federal a adotar sistema de cotas raciais - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dados da UnB mostram que, no primeiro ano do sistema, ingressaram na universidade 376 negros cotistas. A quantidade de pretos e pardos a entrar na instituição por meio de cotas foi crescendo ano a ano. Em 2011, por exemplo, 911 negros cotistas puderam fazer a matrícula na graduação. No acumulado de 2004 a 2018, ingressaram na universidade 7.648 negros pelo sistema de cotas raciais.

“Eu acho que a academia foi pioneira e isso foi muito importante não só para o contexto da UnB, mas para a sociedade como um todo, no entendimento das cotas, em especial cotas para negros. Nesses 15 anos a avaliação que nós temos é muito positiva”, comemorou o decano de Ensino da Graduação da UnB, Sérgio Antônio Andrade de Freitas.

A partir de 2013, já sob a vigência da lei federal de cotas, a UnB mudou a distribuição da reserva de vagas. Para obedecer ao percentual estabelecido pelo Ministério da Educação para as cotas sociais, a UnB reduziu as cotas raciais. A universidade reserva, atualmente, 50% das vagas para alunos de escolas públicas e mais 5% exclusivamente para negros, independentemente da sua condição econômica.

Atualmente, o sistema passa pelo desafio de aperfeiçoar o processo de seleção baseado na autodeclaração. A UnB tem investigado ao menos 100 casos de possíveis fraudes. Em âmbito nacional, o Judiciário já se manifestou de forma favorável ao estabelecimento de comissões para averiguar a veracidade das declarações dos candidatos.

 “Nesses 15 anos a avaliação que nós temos é muito positiva. Pelos dados dá para ver o crescimento da quantidade de negros”, disse o decano de Ensino de Graduação da UnB, Sérgio Andrade de Freitas - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O decano Sérgio Andrade acredita que as denúncias não afetarão o sistema, mas poderá contribuir para ajustes.

“Todo processo exige um aperfeiçoamento, qualquer mudança que nós temos na sociedade demanda um processo de amadurecimento entre as pessoas”, avalia Sérgio Andrade.
 
Conferência
O direito à igualdade de oportunidade para negros será um dos temas debatidos na 4ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), que será realizada esta semana em Brasília. O evento ocorre no âmbito da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) e abordará questões sobre reconhecimento, justiça, desenvolvimento e igualdade de direitos.

A programação da conferência tem início amanhã (28) com diferentes palestras, oficinas temáticas e atividades culturais, no Centro Internacional de Convenções do Brasil. O evento, promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) ocorre até a próxima quarta-feira (30).

Saiba mais
Edição: Lílian Beraldo

http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-05/cotas-foram-revolucao-silenciosa-no-brasil-afirma-especialista