quinta-feira, 31 de julho de 2014



Intenção velada de a Alemanha integrar os Brics assusta os EUA
27/7/2014 15:27
Por Carl Edgard, com agências internacionais - de Nova York, EUA, Moscou e São Paulo


Agora imaginem que novo mundo estaria se desenhando com a entrada da maior potencia econômica da Europa, no grupo iluminado dos BRICS.   Com seu banco econômico e suas trocas comerciais privilegiadas já são uma potencia. Seria uma rachadura a União Europeia quanto ao seu papel econômico? Veremos, veremos. É um texto forte para reflexões geopolíticas e suas implicações em defesa, econômica e sociedade. Paulo Souza.


Merkel e Putin, em recente encontro durante reunião de cúpula da União Europeia
Os piores pesadelos do presidente Barack Obama têm ganhado forma, em uma velocidade com a qual ele não contava, no front financeiro. Uma análise do doutor em Estatística Jim Willie, PhD na matéria pela Carnegie Mellon University, nos EUA, afirma categoricamente que a Alemanha está prestes a abandonar o sistema unipolar apoiado pela Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) e os EUA, para se unir às nações dos Brics, o grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, razão pela qual a agência norte-americana de espionagem NSA ampliou suas escutas à lider germânica Angela Merkel e terminou flagrada por agentes do serviço secreto alemão, após as denúncias do ex-espião Edward Snoden. Em entrevista ao blogueiro Greg Hunter, editor do USA Watchdog, Willie afirmou que a verdadeira razão por trás do recente escândalo de espionagem da NSA, visando a Alemanha, é o clima de medo que ronda o governo norte-americano de que as potências financeiras da Europa estejam procurando fugir do inevitável colapso do dólar.
Editor de um boletim financeiro a partir de Pittsburg, no Estado norte-americano da Pensylvania, Jim Willie afirma que o apoio dos EUA à Ucrânia e as consequentes sanções impostas à Rússia integram o esforço dos EUA de tentar segurar o êxodo europeu no campo econômico e político, em nível mundial. “Aqui está a grande consequência. Os EUA, basicamente, estão dizendo à Europa: você tem duas opções aqui. Junte-se a nós na guerra contra a Rússia. Junte-se a nós nas sanções contra a Rússia. Junte-se a nós nas constantes guerras e conflitos, isolamento e destruição à sua economia, na negação do seu fornecimento de energia e na desistência dos contratos. Junte-se a nós nessas guerras e sanções, porque nós realmente queremos que você mantenha o regime do dólar. (Em contrapartida, os europeus) dizem que estão cansados do dólar… Estamos empurrando a Alemanha para fora do nosso círculo. Não se preocupem com a França, nem se preocupem com a Inglaterra, se preocupem com a Alemanha. A Alemanha tem, no momento, 3 mil empresas fazendo negócios reais, e elas não vão se juntar às sanções”.
Willie continua: “É um jogo de guerra e a Europa está enjoada dos jogos de guerra dos EUA. Defender o dólar é praticar guerra contra o mercado. Você está conosco ou está contra nós?”. Quanto à espionagem da NSA sobre a Alemanha, Willie diz: “(Os espiões norte-americanos) estão à procura de detalhes no caso de (os alemães) passarem a apoiar a Rússia sobre o ‘dumping’ ao dólar. Eu penso, também, que estão à procura de detalhes de um possível movimento secreto da Alemanha em relação ao dólar de união aos Brics. Isto é exatamente o que eu penso que a Alemanha fará”.
Willie calcula que, quando os países se afastarem do dólar norte-americano, a impressão de dinheiro (quantitative easing, QE) aumentará e a economia tende a piorar. Willie chama isso de ‘feedback loop’, e acrescenta: “Você fecha o ‘feedback loop’ com as perdas dos rendimentos causados pelos custos mais elevados que vêm da QE. Não é estimulante. É um resgate ilícito de Wall Street que degrada, deteriora e prejudica a economia num sistema vicioso retroalimentado… Você está vendo a queda livre da economia e aceleração dos danos. A QE não aconteceu por acaso. Os estrangeiros não querem mais comprar os nossos títulos. Eles não querem comprar o título de um banco central que imprime o dinheiro para comprar o título de volta! A QE levanta a estrutura de custos e causa o encolhimento e desaparecimento dos lucros. A QE não é um estímulo. É a destruição do capital”.
Na chamada “recuperação” a grande mídia tem batido na mesma tecla durante anos, Willie diz: “Os EUA entraram em uma recessão da qual não sairão até que o dólar tenha desaparecido. Se calcular-mos a inflação corretamente… Veremos uma recessão monstro de 6% ou 7% agora. Não creio que a situação melhore até que o dólar seja descartado. Portanto, estamos entrando na fase final do dólar”.
“Você quer se livrar de obstáculos políticos? Vá direto para o comércio e negócios. Por que é que a Exxon Mobil continua realizando projetos no Ártico e no mar Negro (na Crimeia) com os russos e suas empresas de energia? Nós já temos empresas de energia dos Estados Unidos desafiando nossas próprias sanções, e mesmo assim estamos processando os bancos franceses por fazerem a mesma coisa. Isso é loucura. Estamos perdendo o controle”, aponta.
Um mundo
não norte-americano
No Brasil, a cúpula realizada em Fortaleza, na semana passada, durante a qual foi criado o Novo Banco de Desenvolvimento, chamou a atenção do mundo para o próprio projeto de desenvolvimento do bloco, bem como para o papel da China e da Rússia nesta organização. O vice-diretor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Academia de Ciências da Rússia, Serguei Luzyanin, anda em paralelo à linha traçada por Willie. Leia, adiante, a entrevista que Luzyanin concedeu à agência russa de notícias VdR:
– Foi referida a criação do embrião “de um mundo não norte-americano”. Porque é que os BRICS não gostam da América do Norte?
– A cúpula brasileira ficou para a história enquanto o mais fértil encontro do “quinteto” – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A sua fertilidade não ficou apenas patente na criação de instrumentos financeiros – o Banco de Desenvolvimento e Arranjo Contingente de Reservas – mas, sobretudo, no nível de empenho dos líderes dos Brics – no auge da Guerra Fria 2.0, quando os norte-americanos tentam esmagar qualquer um que age à revelia das “recomendações” de Washington – em criarem o seu embrião “de um mundo não norte-americano”. No futuro, outros projetos poderão estar ligados ao desenvolvimento dos Brics, como a Organização de Cooperação de Xangai (RIC). O importante é que, de fato, existe a concepção “de um mundo não norte-americano” que se desenvolve ativamente e de forma concreta. Os Brics parecem prestes a se tornar o epicentro deste novo fenômeno. Não é preciso ser um político habilidoso para sentir que os povos e as civilizações dos países em vias de desenvolvimento estão cansados de “padrões norte-americanos” impostos. Aliás, padrões para tudo, economia, ideologia, forma de pensar, os “valores” propostos, vida interna e externa, etc. O mundo inteiro viu pela TV o aperto-de-mão dos cinco líderes dos Brics, ao qual, passado uns dias, se juntou praticamente toda a América Latina. É discutível se, neste impulso comum, existiu uma maior dose de contas pragmáticas ou de solidariedade emocional, mas, uma coisa é certa, nele não houve qualquer amor pela América do Norte. E isso ainda é uma forma polida de colocar as coisas.
– E quanto à adesão da Argentina, quem, no Sul, irá “apoiar” os EUA?
– Para a Índia os Brics são uma oportunidade de reforço na Ásia Austral e de desenvolvimento econômico fora da alçada da Ocidente. A motivação regional é conjugada com expectativas financeiras e tecnológicas que unem a África do Sul e o Brasil. No futuro, o “segmento” latino-americano poderá ser reforçado. Muitos peritos esperam que o “quinteto” seja alargado através da adesão da Argentina ao projeto. Ultimamente tem existido um desenvolvimento fulgurante das relações bilaterais da Rússia e da República Popular da China com países da América Latina, em setores como o tecnológico-militar, comercial, de investimento e energético. Neste quadro, as visitas em Julho de Vladimir Putin e de Xi Jinping marcaram o tendencial círculo de potenciais aliados dos Brics, nomeadamente Cuba, Venezuela, Nicarágua, Argentina, entre outros. Como é sabido, geograficamente, a America Latina “apoia”, a partir do Sul, os EUA. O reforço dos Brics, nessa zona sensível para os norte-americanos, é um trunfo adicional para o mundo em vias de desenvolvimento.
– Relativamente à “descoberta” muçulmana dos BRICS. Como será a institucionalização?
– Também se estuda o prolongamento dos Brics da direção do Islã, onde também existe descontentamento face ao domínio norte-americano. Espera-se que, após a entrada da Argentina, a fila de adesão aos Brics seja engrossada pelo maior, em termos de população, país muçulmano do mundo (cerca de 250 milhões), ou seja, a Indonésia. Ela, seja pela sua ideologia, seja pela ambições, nasceu para aderir ao projeto e assim fechar a região do Sudeste Asiático. O novo governo indonésio confirma a sua intenção de desenvolver o relacionamento com os Brics. A entrada da Indonésia encerrará a “corrente regional” que englobará as principais regiões do mundo. Além disso, cada um dos países dos Brics irá representar a “sua” região, tornando-se no seu líder informal. Brasil a América Latina, RAS a África, Rússia a Eurásia, China o Nordeste da Ásia, Indonésia o sudeste asiático. Os futuros cenários de desenvolvimento do projeto poderão ser diversos. Mas um deles já é atualmente equacionado e de forma bastante concreta. Num futuro próximo, os líderes dos BRICS deverão trabalhar no sentido da institucionalização do projeto, nomeadamente através da criação de um fórum de membros permanentes (atualmente são cinco Estados), e um fórum de observadores e de parceiros de diálogo.
– Há alguma chance de os EUA dialogarem?
– É possível que, com tempo, os EUA sejam obrigados a dialogar com os Brics. Porém, não parece ser algo que venha a ter lugar num futuro próximo. Hoje o projeto está em ascensão. Ele combina, organicamente, as vantagens de diversas civilizações, economias e culturas políticas. Aqui não existem imposições nem domínios de um só país. É claro que existem incongruências, algumas “divergências e visões diferentes quanto à concretização de alguns projetos internacionais. Mas não são diferendos estratégicos. Trata-se de questões objetivas, que surgem, normalmente, nas relações internacionais do mundo político. Os Brics acabam por ser o reflexo bastante preciso do nosso mundo multifacetado e bastante complexo.



Os comentários às matérias e artigos aqui publicados não são de responsabilidade do Correio do Brasil nem refletem a opinião do jornal.


Deixe um comentário

segunda-feira, 21 de abril de 2014

RECURSOS DO PLANETA E MINERAÇÃO

COMO EMPRESAS COMO A VALE ENTENDEM SUA AÇÃO PREDATÓRIA

Este texto faz parte do meu livro VALE E A FLORESTA, sendo produzido ao longo dos últimos 15 anos. É quase uma continuidade ao Arvore da Vida, mas aqui tratamos de logística, de comercio exterior, de commodities e como se dão as trocas entre Asia e Américas. Será lançado mundialmente e temos pesquisa de muitos anos, por dentro.


Quarta empresa mais valiosa da America Latina, segunda maior empresa do Brasil, atrás apenas da Petrobras, dona dos maiores ativos de ferro do mundo e prestes a inaugurar a maior exploração deste mineral em todo o planeta e com os preços e margens em expansão, a VALE tem uma situação confortável para seus proprietários, investidores, governo e tudo o mais. Tudo o mais?
Suas ações na  Bolsa de Nova York produz mais de 100 milhões de dólares diariamente. Num contexto em que  a NYSE e Euronext, bolsa que opera nesta cidade, movimenta 200 bilhões de dólares por dia, mais de 60 vezes o movimento da BOVESPA dia, não é grande coisa os 100 milhões  de dólares dia, resultado das ações da VALE nesta praça.


Relacionamento com Comunidades


A mineração traz muitos benefícios para a região em que está inserida, como a geração de empregos, o aumento da massa salarial e da renda familiar e a maior arrecadação de impostos. A Vale considera ainda que nosso maior desafio é identificar as oportunidades e deixar um legado positivo de sustentabilidade nas regiões onde atuamos.

Ações integradas promovem desenvolvimento
Desenvolvemos programas, ações e projetos que potencializam os resultados positivos de nossa presença. A estratégia é atuar de forma integrada com os governos e a sociedade, estimulando a aplicação de impostos em infraestrutura, qualificação de trabalhadores e fornecedores e em diversificação econômica da região.
Dessa forma, contribuímos para o desenvolvimento local em médio e longo prazos. Nosso trabalho com as comunidades ajuda a fazer com que esse modelo permaneça mesmo no fim de nossas operações.

Relacionamento com Governos
Imagem de Página
Conteúdo da Página
“Nosso relacionamento é pautado em transparência e confiança.”
O aprimoramento de nossa capacidade de ouvir os diferentes públicos e também de expor a forma como gerimos nossos negócios é um desafio permanente. Mantemos relacionamento com os governos e a sociedade civil por meio da participação em entidades e a produção de diagnósticos socioeconômicos.



 AÇÕES INTEGRADAS  E MERCADO FINANCEIRO LOCAL
Não seria importante um trader local ou uma bolsa em Belém ou São Luis alavancadas pelas ações da VALE, PETROBRAS  e outras gigantes que exploram nosso solo e levam de graça as riquezas florestais e vegetais para toa distantes terras? Podemos pensar que não há distancias mais com todo o aparato tecnológico que temos. Compramos ações no mundo inteiro pela internet e não precisa da presença física de nenhum corretor, prédio, instalações.  Porque será então que estas cidades onde as bolsas se localizam não abrem mao da presença física das mesmas. Se temos internet e é tão moderna  a compra e venda pela rede, não será problema termos subsedes das grandes bolsas na região.

MERCADO FINANCEIRO
Diante deste quadro, voltamos nossa atenção para o mercado financeiro local. Sabe-se das enormes filas nas casas bancarias de Parauapebas e região. Porque não temos bancos ou atendimento suficiente localmente? Seria mera coincidência, desinteresse dos bancões ou propósito?  Estas empresas têm sólidos estudos de cada mercado onde se localizam, não estão em Parauapebas por fortes motivos geoeconômicos. Explico: um mercado financeiro ativo localmente atrairia muitos interesses para áreas tão devastadas e isoladas. A visão da produção local, incluídos tantos sacrifícios, desvalorizam o preço das ações ou o interesse  pelos resultados. Não temos matadouros dentro das grandes cidades, como não temos um mercado ativo próximo as mineradoras. Dos 100 milhões de dólares diários, apenas na bolsa de Nova York, quanto ficam  em impostos para aquela cidade?  Quantos visitantes e interessados em VALE acorrem diariamente a Nova York, São Paulo, Madri, Tóquio, Londres para negociar seus papeis? Porque este publico altamente qualificado e milionário não poderiam vir a Belém, São Luis ou Parauapebas para visitar a subsede da Bolsa e o mercado financeiro local que  seriam uma entreposto financeiro, onde as trocas seriam feitas baseadas no movimento e cotações internacionais, como ocorrem naturalmente. Os ganhos seriam aproximar o financeiro da produção propriamente dito. Um sistema de captação local, com escolas, novos bancos, traders e insiders e toda uma perspectiva locais, trariam para a região um novo patamar de desenvolvimento. Nem apenas e tanto  pelo aspecto financeiro em si, mas levando em conta as novas possibilidades de negocios, de desenvolvimento, de captação de recursos e nova visibilidade que esta região teriam.
Se analisarmos meramente pelo aspecto  das  colossais perdas biológicas, já estaríamos ganhando. Diariamente, centenas de espécies vegetais são dizimadas. Nem  ao menos temos tempo para conhecê-las. São trocadas  por dólares, que jamais vão repor este estoque de novos medicamentos, novos alimentos e com sua capacidade de  renovação. O minério vai e nunca, nunca mais retorna. Não estamos fazendo sequer uma troca justa.
Sob  o aspecto da arqueologia e antropologia. Trata-se de imenso sitio milenar. Diversas civilizações viveram nesta região.  Centenas de sítios preciosos, com informações milenares são destruídos diariamente na região, sem ao menos ter tempo de serem mapeados. São destruídos para tirar o minério debaixo e também nunca mais teremos acesso as marcas deixadas pelas tribos e povos já desaparecidos. As tribos remanescentes da exploração desenfreada dos recursos minerais já pagaram ou ainda pagam um elevado preço por serem proprietárias da terra e ainda partilhar de sua destruição. Poderão voltar para as áreas já mineradas.  Como esta a cobertura vegetal  e qual a qualidade destas áreas, pelo menos as áreas mineradas e exauridas há dez anos? Serve como habitat para seres humanos e animais. Como é a qualidade de sua cobertura vegetal. As espécies nobres, renasceram?
Sob o aspecto  biológico, relativos a insetos, microorganismos, vermes, animais, aves e outros bichos.  A destruição do seu meio natural os expulsa definitivamente da região. Os bichos de rápido deslocamento se salvam, hibernando em outras matas próximas, lutando com seus moradores por novo espaço. Mas os microorganismos, talvez  com sua estrutura molecular baseados em arsênio, grafeno e outros materiais, diversos da nossa base biológica ou da base biologia conhecida, sobrevivendo há milhões de anos são dizimados em segundos, diariamente e nunca vamos saber que existiram. Há engenheiros da VALE na NASA e há engenheiros da NASA estudando o ambiente de Carajás, as escavações da mina. O ambiente é semelhante ao do planeta MARTE. Ou outros mundos e asteróides oxidados pela presença maciça do ferro ou minerais correlatos aos encontrados me área da canga. Os pássaros,  os animais de pequeno porte, os de médio portes. Por mais cuidados que sejam tomados, por melhor atuação dos grupos de captura e estudos, eles se vão para sempre. Como o minério extraído, se vão para sempre.
O minério de ferro nunca ocorre isolado. Sempre ele é agregado a materiais semelhantes, ouro, urânio, platina, cobre.  Qual o percentual destes outros minerais  é extraído diariamente em Carajás? Quem controla  esta extração  e se, em volume a considerar, para onde vai? Precisamos saber, porque, se há urânio, é material estratégico e o governo brasileiro estaria falhando, dando mostras internacionais que não sabe controlar os recursos da floresta.
Como é controlado o ambiente da mina de ferro, então a maior do mundo? Após as detonações, como fica o ar no em torno da mina e principalmente em Carajás, Parauapebas e arredores? Qual o diâmetro das particulas resultantes da mineração e qual o impacto para a saúde publica das cidades próximas? Possuem contaminantes? Nunca vi estudos sobre esta questão e se não há, precisamos procurar informações e realizá-los o mais rápido possível, a cada  dia que passa, mais e mais pessoas se aproximam das minas no interior do Para. Seriam as doenças endêmicas da região, como hanseníase, infecção de ouvido, pneumonias resultantes dessa atividade  econômica, triplamente nociva ao ambiente planetário. Mas não se trata de apenas relacionar os males e defender o minério no solo. Não somos malucos de simplesmente  sermos contra a atividade mineral, uma das mais rentáveis do planeta. Onde o capitalismo encontra sua melhor capacidade de produção e  retorno. Justamente por ser tão rentável.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Reprogramação celular parecia ficção científica, mas virou realidade


ter, 09/10/12
por Alysson Muotri |
categoria Espiral

Transformar um tipo de célula em outro, como pele em neurônio, parecia coisa de ficção cientifica. Mais incrível ainda era a possibilidade de transformar uma célula já madura numa célula-tronco, ainda não especializada. Essa plasticidade, ou capacidade adaptativa, da célula esbarrava em um dos grandes dogmas da biologia: de que, durante o desenvolvimento, as células do embrião vão se especializando em outros tipos de forma irreversível, formando os tecidos do individuo adulto.

Pois é, esse dogma caiu e, este ano, o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina reconheceu dois pioneiros da plasticidade celular, John B. Gurdon e Shinya Yamanaka. Segue abaixo minha perspectiva dessa história que está apenas começando e promete ser a grande vedete da medicina no futuro.
(Na foto acima, Gurdon e sua cabeleira impecável. Trabalho com óvulos de sapos quebrou dogma da biologia)
O dogma da identidade irreversível das células começou a despencar com a pesquisa do inglês Gurdon, em 1962, que mostrou ser possível reprogramar células adultas para um estágio embrionário, pela transferência do núcleo em um ambiente propício. Gurdon, um típico Lord inglês, de fala suave e cabeleira farta, criou o ambiente utilizando óvulos de sapos, grandes, fáceis de manusear. A técnica levava o nome de clonagem celular. A observação abriu as portas da imaginação humana e o feito foi replicado em diversas espécies.
Veio então a ovelha Dolly, pelas mãos de Ian Wilmut, mostrando que a clonagem funcionava também em organismos mais complexos. Veio depois o veterinário sul-coreano Hwang Woo-suk, que disse ter feito o mesmo com células humanas. Era fraude. Os resultados “fabricados” foram publicados em 2005 na revista Science e depois retratados. Tornou-se dos maiores escândalos na área de células-tronco. Além disso, o episódio infame trouxe um alerta sobre a ética nesse campo de pesquisa, pois Hwang havia usado óvulos “doados” de estudantes em seu laboratório.
A dificuldade de conseguir óvulos humanos para pesquisa, somada à crescente atmosfera anticélulas-tronco embrionárias humanas promovida por setores mais conservadores da sociedade, emperrou o progresso da ciência nesse campo por alguns anos.
(Abaixo, trecho da revista “Época” de maio 2007, quando o foco da discussão no Brasil ainda eram as células-tronco embrionárias)
Em paralelo à carreira de Gurdon, o frustrado ortopedista japonês Shinya Yamanaka decidiu seguir a carreia acadêmica, abandonando a medicina. Sua frustração aumentou ainda mais com um período de pós-doutorado nos EUA que não lhe trouxe a satisfação desejada. Yamanaka voltou ao Japão e colaborou com um dos maiores centros de sequenciamento do mundo, o Riken.
Esse grupo estava interessado em estudar quais genes seriam diferentemente regulados em células-tronco embrionárias e em células de tecidos adultos. Ele teve acesso privilegiado à lista de genes que eram ativos unicamente em células-tronco embrionárias. Foi aí que teve a ideia de forçar a atividade desses genes em células somáticas da pele, por exemplo, buscando a reprogramação genética.
Foi literalmente um trabalho de japonês! Yamanaka e seu aluno, K. Takahashi, fizerem o experimento buscando sistematicamente a combinação de genes que levaria à reversão celular. Mais tarde, o próprio Yamanaka reconheceria que esse tipo de experimento jamais seria executado por um estudante não-asiático, em geral mais avessos a experimentos repetitivos e demorados – uma clara demonstração de como a cultura influencia no desenvolvimento da ciência. Apesar da descrença de feras da comunidade científica de que a estratégia funcionaria (por ser simples demais!), Yamanaka prosseguiu e publicou seus achados revolucionários em 2006, em um elegante trabalho na famosa revista “Cell”.
(Abaixo, o simpático Shinya: de ortopedista medíocre a prêmio Nobel em tempo recorde)
Os resultados não repercutiram de imediato. Como os experimentos foram feitos em camundongos, restava saber se o mesmo seria válido para humanos. O próprio Yamanaka desconfiava que talvez fosse preciso uma combinação de diferente de genes, específicos para a espécie humana. Além disso, as implicações da reprogramação não eram óbvias. Porém, estava claro para quem acompanhava a história toda que seria uma questão de tempo até descobrir a combinação exata em humanos. Em entrevista para a revista “Época” em maio de 2007 sobre revoluções na ciência, o pesquisador disse que a reprogramação celular iria dominar completamente a pesquisa em células-tronco. Opinião não compartilhada pelos colegas brasileiros naquele momento, que ainda focavam a discussão no uso de células-tronco embrionárias humanas versus células-tronco adultas.

Foi em dezembro de 2007 que Yamanaka e colegas publicaram um outro artigo na “Cell”, mostrando que a reprogramação funcionava em humanos, com os mesmos fatores que deram certo em camundongos. O impacto agora fora imediato, o fenômeno era altamente reprodutível e foi prontamente replicado por outros laboratórios. A facilidade da técnica foi democrática. Qualquer laboratório do mundo podia reprogramar células, gerando grande excitação na área. Agora seria possível cultivar células-tronco semelhantes às embrionárias, mas oriundas de um pedacinho da pele de um indivíduo adulto. Com elas, podia-se gerar um espectro enorme de células especializadas, contendo o mesmo genoma da pessoa ou do paciente. Essas células, em teoria, não seriam rejeitadas em um futuro transplante celular e poderiam substituir as células-tronco embrionárias derivadas de embriões humanos, pondo um fim na discussão ética.
Talvez a motivação de Yamanaka tenha sido inicialmente o transplante celular. Porém, a aplicação imediata da reprogramação celular aconteceu de forma diferente. Ao capturar o genoma de pacientes em um estágio embrionário, cientistas poderiam agora criar modelos de doenças humanas em laboratório. Acompanhar o desenvolvimento embrionário humano em condições controladas era praticamente impossível, e muito do que sabemos a respeito de doenças vinha de modelos animais (quando existiam).
Um exemplo disso foi descrito pelo meu grupo em 2010, quando mostramos que a técnica de reprogramação podia trazer insights para uma forma sindrômica do espectro autista. Revelamos defeitos em sinapses e mostramos a reversibilidade da condição em neurônios humanos, quebrando outro dogma, agora da neurociência. O trabalho foi publicado na revista “Cell” e contribuiu para coroar a tecnologia de Yamanaka, abrindo perspectivas de modelagem para diversas outras doenças humanas e acelerando a descoberta de novos medicamentos. A tecnologia ecoou também no Brasil. Já no começo de 2011, o trabalho pioneiro da dra. Patrícia Beltrão-Braga mostrou ser possível reprogramar células extraídas da polpa de dentes de leite. Os participantes desse trabalho foram provavelmente os primeiros brasileiros a terem células reprogramadas – ponto para a ciência brasileira.
Isso tudo mostra que a simplicidade do método de Yamanaka foi o fator responsável pela disseminação rápida dessa tecnologia, trazendo resultados imediatos para a pesquisa básica. Efeito semelhante aconteceu com o Nobel de Medicina dedicado ao processo de interferência do RNA, em 2006.
Muitos se questionaram se o prêmio de 2012 não deveria ser divido com Ian Wilmut, cuja equipe clonou a ovelha Dolly, ou James Thompson, o primeiro a cultivar células-tronco embrionárias humanas em laboratório – mas acredito que eles fizeram apenas contribuições incrementais. Outro que deve ter ficado com um gostinho amargo foi o pesquisador alemão radicado em Boston (EUA) Rudolf Jaenisch. Apesar da enorme contribuição de Jaenisch para as pesquisas com células-tronco e, mais recentement, para elucidar como a reprogramação funciona a nível molecular, sua participação não deixa de ser igualmente incremental. Ex-alunos de Jaenisch, em atividades patéticas, até tentaram ressaltar a importância desse grupo, talvez com o intuito de chamar a atenção do Comitê do Nobel. Além disso, acredito que a publicação de uma carta aberta ano passado, assinada por Yamanaka e outros pesquisadores, sobre uma possível dominância de pesquisadores de Boston em certas revistas cientificas, afetou a já remota chance de Jaenisch.
O impacto real da descoberta de reprogramação celular ainda está por vir. Pesquisadores já estão criando formas mais eficientes e seguras de reprogramar células adultas, e o sonho de regeneração usando transplante de células-tronco do próprio paciente fica a cada dia mais próximo. A técnica está sendo usada para modelagem de diversas doenças humanas e vai, com certeza, trazer novas oportunidades terapêuticas. Além disso, o uso menos convencional da reprogramação celular, como para a preservação de espécies em extinção ou estudos evolucionários, estão em andamento. E o emprego dessa técnica parece estar limitado apenas pela criatividade humana.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

MOMENTO REESTRUTURANTE

Um estudo simples sobre as transformações da economia local 

Ate outubro 12, nossa empresa de treinamentos, vendia  cerca de 53 cursos aos mês. Desde 2010, mantínhamos esta media de vendas, fora os treinamentos de RAC, que chegavam a casa dos  200. A partir de novembro daquele ano, iniciou-se uma espiral invertida e a cada mês, foram reduzindo as vendas, até estagnar em maio de 2013, nos 12 cursos mês, sem qualquer tomada de preços, para treinamento RAC. Nossa receita desabou mais de 70%. Outras atividades essenciais passaram a despontar e cobrir o rombo, tais como serviço de despachante, acerto de firmas, serviços de mediação e arbitragem. Atividades típicas de momento de crise econômica. Estamos falando com a autoridade de quem esta sentindo na pele a  retração econômica de Parauapebas. Senão vejamos:
Nossos clientes, em diversos ramos de atividade passaram a atrasar pagamentos, a reclamar da baixa arrecadação de vendas de produtos e serviços. Rede hoteleira, com redução de 40 a 60%, lojas de autopeças, redução de 70%, serviços em geral, venda de alimentos, farmácias, tudo e todos reclamando e percebendo a falta de clientes dispostos a pagar qualquer preço. Até os mototaxistas estão desnorteados, com tão pouca gente disposta a pagar seus preços exorbitantes por corrida. Muitas escolas fecharam as portas, muitas atividades que até então não tinham problemas em vender, estão reduzindo suas margens, perdendo suas perspectivas.
Mas a produção da VALE e os repasses para a prefeitura, são crescentes e representam os maiores pagamentos da historia da cidade. Até agosto 2013, foram repassados R$905.552.577,79, nunca ficando ao mês, valores inferiores a R$80.000.000,00 de reais. Os maiores picos de faturamento  foram nos meses de fevereiro – 191.032.290,43 e março – 174.762.644,67.
O ISS, que mede diretamente o faturamento de toda a atividade de serviços, não pára de crescer, em relação a 2012 e em relação a períodos mensais de 2013. Vejam no quadro 1.  Mês a mês, chega a picos de quase 20% maior que o ano anterior.
quadro1 - (clique na imagem para ampliar)
Somente apartir de junho 2013, temos uma queda desta importante receita, veremos que é a partir deste momento, que se começa  a refletir o aperto do comercio e serviços não vinculados a VALE. Há uma forte tendência a faturar mais de 20% em 2013, do que todo o faturamento de  2012. Portanto a receita esta crescendo, ou se mantendo como 2012, um ano bom para Parauapebas.
Quando analisamos os repasses diretos do CEFEM, temos um faturamento global em 2012, na ordem de R$283.132.363,04. Em 2013, apenas de janeiro a setembro, já temos um faturamento de R$380.509.109,67, quase 50% maior que o ano anterior. Isto em repasse direto vale, o que nos diz que a produção da mineradora continua crescendo ou no mínimo estável em relação a 2012. Os dados financeiros não apontam diretamente para a crise que estamos vivendo. Pelo menos no corrente ano. Mas ai que esta o problema. Foram tomadas decisões lá atrás que refletem nossa situação atual. Decisões que estão afetando para sempre a historia de Parauapebas. Situações que fizeram todas as consultorias externas falharem em seus diagnósticos: Delloite, Diagonal, Revista Exame e principalmente os grandes investidores, que não pesquisaram localmente, que ignoraram nossos dados e analises, largamente publicados. Dados locais, regionais, nacionais e internacionais, produzidos pela EXCLUSIVA CONSULTORIA.
Os problemas, previsíveis, dada a não sustentabilidade da exploração mineral, da colheita única o produto minério, ainda mais, com o teor único e qualidade impar do minério de Carajás, era impossível manter este crescimento por muito tempo mais. Esta desaceleração, oriunda sim da propaganda irresponsável em torno de um crescimento sem fim, esta massacrando hoje todos que acreditaram sem conhecer – como estamos vendo o império do Eike Batista soçobrar... não é e é culpa da VALE. Mas sobretudo é culpa das elites e sociedade de Parauapebas. Da para entender? Se não, vamos aos fatos, a matemática:
Quando iniciou a pesquisa e a produção local, o governo brasileiro sabia que teria fim o ciclo de exploração. Se Brasília tivesse compromisso com o Estado do Pará, teria estudado e implantado a verticalização da cadeira do ferro, lá atrás. Haveria justificativa econômica, há 30, 20 anos atrás. A jazida esta intocada, poderia ter se orientado para a riqueza ficar aqui. Mas naquele momento a estratégia era abafar a Guerrilha do Araguaia, era a época do acordo MEC X USAID, estávamos falando de guerra civil. Teríamos que entregar a pesquisa e os mercados para o gigante do norte, e assim foi feito. Hoje entregamos para a China e não faz diferença. É parte da estratégia geopolítica do Condor, a China ser o gigante que é, e nos brasileiros continuarmos sem tecnologia, sem possibilidade de confronto. Nosso papel. Fornecer commodities, alimentos, minerais, um setor primário global, e nisso estamos indo bem.

A irresponsabilidade é tanta, que ao estudarmos a implantação do shopping Unique, deparamos com uma analise que teríamos agora, em 2013, 500 mil habitantes em Parauapebas. A consultoria esqueceu convenientemente da Copa do Mundo, da construção de Belo Monte, da exploração do petróleo e gás na Paraíba e Maranhão, nas olimpíadas de 2016. E no próprio desenvolvimento agrícola do sul do Maranhão. Tudo, atividades e desenvolvimento que naturalmente roubariam a mão de obra desqualificada e barata do interior do Maranhão e seus fluxos em direção a região do Carajás. Um simples erro de estudiosos e de consultores pagos a  peso de ouro.  
Então, um padrão necessário a manutenção de preços baixos para sustentar um minério de qualidade competitivo e a altíssima produtividade da VALE, começou a sofrer com a escassez crescente do vetor mão de obra barata. A política dos sindicatos silenciosos, da baixa remuneração, passou a ser seriamente ameaçada com os primeiros refluxos de trabalhadores na região. Rapidamente a VALE promoveu uma intensa primarização, dispensando as terceiras e seu exercito de aflitos. Com a mina de ferro de Carajás totalmente implantada e no seu grau máximo de produtividade – como vemos nos exercícios 2012 e 2013 – tabela 1, com produção e repasses crescentes de tributos para a cidade, fomos perdendo quase sem perceber, a massa bruta e errante de trabalhadores, que começaram a ser atraídos por melhores salários em outras regiões, pela anulação total das empreiteiras e pelas novas políticas de contratação da VALE. Este cenário, construído ao longo dos últimos 4 anos, passaram desapercebidos pelos intelectuais, políticos e sindicatos locais, e pelas consultorias externas. Todos focados na sua crença de exploração mineral sustentável.
Com os aumentos de custos recorrentes da mina de ferro de Carajás, devido em parte por problemas geológicos – profundidade da cava – estima-se que esteja a 300 metros abaixo do nível do mar, sendo necessário o esgotamento por bombas de 150 mil litros hora de água, para manter a mina enxuta, seja pelo desgaste da imagem da VALE, pelos recorrentes acidentes, quebras de empresas e políticas de relacionamento desastrosas com a comunidade, a mina do SD11 surge como panacéia e solução para a contenção de custos e aumento da atratividade da produção bruta e exportação de minérios in natura para o exterior. Liderados pelo ferro, não se aproveita seus agregados naturais e de alto valor, só para citar, urânio, ouro, platina e outros raros. A viabilização da exploração do SD11 é a solução econômica mais lógica e seus estudos foram feitos para coincidir com ao aumento de custos de Carajás. 

Como predadora, não se poderia esperar da VALE outra atitude. Mas dos políticos locais sim, esperamos e sugerimos varias atitudes – fundo soberano, gestão partilhada, redução e controle da exploração e das exportações e outros modos de compartilhar a riqueza retirada de uma única vez e para sempre do subsolo local. Agora, em vias de perdermos grande parte das  conquistas em  23 anos de historia, Parauapebas enfrenta pela primeira vez, seu MOMENTO REESTRUTURANTE. Nunca mais seremos os mesmos. Estamos diante do momento histórico das bolhas se partirem: os preços exorbitantes de alugueis, serviços, comida – tudo estará desaparecendo agora e nos próximos anos. Quem se adaptar, viverá. Quem não se adaptar, vai desaparecer. A propaganda do crescimento infinito comprado por todos os agentes de investimento – de forma irresponsável, pois todos sabiam de uma forma ou de outra que o minério não seria para sempre e que, mesmo em 400 anos (parece piada, mas o The Wall Street Journal estava atrás dessa brincadeira da VALE com seus investidores e políticos locais), teria um fim a sandice da exploração a qualquer custo e rapidamente. Estamos chegando neste momento.

A propaganda de que o crescimento de dois dígitos, baseado no minério de ferro, sustentaria lojas, faculdades, fabricas, shoppings e outros, se revela agora um fracasso. Eram 22 lojas de material de construção, agora são 167 (dados da CDL, presidente). Eram 8 hotéis, agora são 52. Tínhamos ate 2011, 35 restaurantes, agora são mais de 200 e assim vemos em todas as atividades, um expressivo  aumento de empresas, ate o fim de 2012 para a mesma população. Uma população relativamente endividada com a bolha imobiliária que ainda  e em breve vai estourar: as famílias estão endividadas pagando o financiamento da casa própria, dos materiais de construção e da mão de obra construtora. Uma expansão absurda, como a ocorrida de 2010 para cá, é insustentável, do ponto de vista econômico, social, ambiental e humano. A cidade cresceu 5 vezes. O poder público, em qualquer esfera esta ausente. Não há segurança, hospitais, escolas, serviços públicos, por toda a nova Parauapebas.  A demanda da população não poderá e não será atendida, nem em 30 anos. Não se deveria permitir esta expansão, porque ela não é crescimento, é inchaço.
Quando as famílias, com menos renda, precisarem sair atrás de serviço, estas casas e lotes serão abandonadas ou recompradas pelas incorporadoras. Será um quadro desolador: terrenos que não valem o custo de implantação e famílias no prejuízo. Com a desaceleração da expansão econômica e social, a cidade vai encolher a seu  tamanho real, com bairros inteiros abandonados.  Parauapebas então, terá que buscar uma nova atividade – agropecuária?  Serviços? Temos a vocação de ser dormitório, talvez nos especializemos nisto. Vamos assistir, apartir de 2015, uma redução drástica na atividade econômica. Quem se sustentou até aqui, terá que reduzir custos e preços, a receita corrente da prefeitura vai reduzir, haja visto a redução constante das atividades da VALE na cidade. Assistiremos um crescimento caótico e desordenado no em torno – principalmente Canaã. Muitos vão ou já estão se transferindo para lá, para dentro de 20 anos, saírem novamente. É a mineração...

Então, já alertados para o cenário real que esta se colocando, 2013 foi apenas o teste da VALE, de promover a transição suavemente, recomendamos a analise de orçamento da prefeitura para assumir o papel de liderança econômica podendo reduzir o impacto das quebras e da crise econômica, liderada pela crise imobiliária. Um orçamento de investimentos como o previsto, cerca de 800 milhões de reais, é suficiente para elevar a economia de Parauapebas para estável nos próximos 5 anos. Poderemos fazer um pouso suave neste período, mas vamos precisar de preparo para não virar uma cidade fantasma. Sugerimos a criação de um grupo técnico, para estudos com dados reais e verdade, propondo políticas sociais e de investimento para a cidade. Como já citado, precisamos votar e estabelecer em parceria com a VALE e de forma inédita no pais, um FUNDO DE POUPANÇA, talvez retendo parte dos repasses, talvez negociando uma compensação, pela redução das atividade e possível fechamento da mina  ou mudança de status de produtiva para manutenção. Não sei, algo precisa ser feito, e urgente. As incorporadoras devem apresentar uma política social para resolver o impasse da devolução ou abandono dos lotes, compartilhada com os órgãos políticos – câmara e prefeitura. A expansão imobiliária deve cessar imediatamente, ou se tornar mais lenta, dentro de rígidos critérios públicos e promessa social. 
É urgente encontrar  alternativas para a produção, para a geração de emprego e renda. A questão da energia – problema em todo o pais, haja visto que a rede Celpa não vai dar conta – precisa ser compartilhada com a prefeitura e a VALE – energia renovável.  Alternativas na área da saúde, precisam ser planejadas e implementadas, este cenário atual, incluído o novo hospital, apenas trará mais problemas. Grupos temáticos devem ser criados com os vereadores e a sociedade civil. Quanto ao transporte, precisa ser licitado nacionalmente e estabelecido os estudos origem e destino para definir rotas e linhas. O taxi lotação deve ser regulamentado, aliviando  pressões sociais e de mobilidade ao executivo. O planejamento, projeto e execução do sistema de esgoto, em parceria com as incorporadoras e a construção da orla devem ser acelerados, urgentemente.  Precisamos definir, com os pés no chão, que cidade menor queremos. Este MOMENTO REESTRUTURANTE é UMA CRISE, portanto, UMA OPORTUNIDADE DE CONSERTARMOS  O ERRO HISTÓRICO QUE sempre foi a mina de ferro de Carajás, suas sistemática de produção e a existência largada de PARAUAPEBAS. Este ano que se inicia, com seus poderosos entraves de Copa do Mundo, eleições  gerais, sistematização da redução da produção local, será o maior desafio já enfrentado por esta cidade. 

Vamos sair vivos e melhores, mas com menos, muito menos gordura. Seremos melhores, se soubermos evitar as armadilhas do convencimento, da crença de que o minério terá segunda safra. Este ano, o setor rural publico fez um trabalho fenomenal de estudar o campo. Hoje, mais do que nunca, temos condições de estabelecer uma cultura de produção de proteína animal, alimentos e combustível, exemplares para o Brasil. A tecnologia desenvolvida pela Sempror deve ser levada a Belém. Representantes dos produtores rurais devem ocupar seus postos e participarem com mais personalidade dos destinos de Parauapebas. Chegou a hora dos políticos de carteirinha cederem espaço para quem realmente sustenta tudo nesta cidade. Com o refluxo populacional, veremos uma sociedade mais comprometida e com investimentos lutando pela sua manutenção. Vamos trabalhar para reduzir cada vez mais, a participação da VALE nos destinos de Parauapebas.
Assumir que temos, pela primeira vez em 20 anos, um governo que entende de contabilidade, de produção, de planejamento e execução orçamentária, é um alento e no momento certo. Temos a oportunidade impar, de construir aqui o território federal de Carajás, de transformar esta região, num celeiro de commodities valorizadas e plantar uma base industrial forte e concorrente. Precisamos ordenar os grupos de pesquisa e estudos, os grupos de planejamento e desenvolvimento, precisamos  dos lideres certos para tomada de decisão quanto ao nosso futuro.

A massa salarial dos milhares de trabalhadores que sumiram das ruas e praças de Parauapebas faz falta e de alguma forma, precisamos transferir estes recursos com o aumento de postos de trabalho e o necessário aumento de produtividade. É este dinheiro que antes supria o comercio e serviços locais. Gerado na base da pirâmide social, estes recursos supriam toda a cidade, mantinha seus preços altos, sua inflação galopante e a intensidade das trocas. Andando por toda a cidade, os diversos centros locais – VS10 – Altamira – Guanabara – Cidade Nova – Liberdade – Palmares Sul, Palmares II – Rio Verde Buriti – Shopping e dezenas de outros e novos, continuam com seu comercio local, menor e mais de região, eletrizante. A cidade como um todo ressente, mas o pequenos vão se adaptar, os médios e grandes, sensíveis vão se reestruturar e manter seu negocio. Os afoitos, sem custos, atrasados, vão sucumbir. Mas Parauapebas é eterna e vamos superar todas as dificuldades que, ter uma economia baseada na mineração, traz para uma sociedade. Estamos diversificando há pouco tempo, logo teremos os resultados, forçados pelo momento histórico.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Secretario Desenvolvimento reúne-se com moveleiros de Parauapebas

Ocorreu hoje, reunião com todos os moveleiros de Parauapebas. Na pauta, os investimentos que a Prefeitura fará, via orçamento 2013 e 2014. Partes das obras iniciam-se ainda este ano. Trata-se do cercamento da área externa, a construção da guarita de acesso e vias principais. Poderá ser contemplada a construção da sede da cooperativa, dentro do Polo. Serão beneficiada cerca de 80 famílias, todos os proprietários do seu terreno, doada em comodato pela Prefeitura de Parauapebas aos cooperados.
Atualmente encontra-se em processo de renovação o CEPROF e a LO. A Exclusiva Consultoria cuida de todos os procedimentos da Coopmasp, inclusive sua relação institucional. Todos os associados estão motivados e serviram uma lauta refeição a todos os presentes. Parte da Diretoria da Rede Celpa fez-se presente, estavam a caminho de reunião para tratar da passagem da 3ª linha de energia para Parauapebas.
Foi prometido que a licitação para o cercamento e as obras viárias internas iniciará neste exercício, com 2014 deslanchando totalmente o processo.
O presidente atual e o fundador do Polo estiveram presentes e está junto em foto neste, os Senhores Sergio Ferreira Barbosa Neto, atual secretario e Adeuvaldo do Espírito Santo - presidente, juntamente com o Secretario titular, Dr. Heleno Costa e seu Adjunto, o brilhante arquiteto, Dr. Eli Ramos. Houve comemoração por parte de todos.  O Sr. Adeuvaldo tomou a palavra e agradeceu os presentes, reafirmando esta positiva parceria com o governo do Sr. Valmir Mariano. O pólo sente-se orgulhoso dos cuidados e atenção que vem despertando neste governo. E esta confiante na execução das obras ornamentadas, tanto via Seden, quanto via Semob.
Foi impressionante a presença de todos os associados, interessados em se manterem atualizados e participativos nos destinos do Polo Moveleiro de Parauapebas e na cooperativa.
Na espera da descida da madeira que a VALE estará cedendo, todos tem a expectativa de trabalharem com material legal e deslanchar a fabricação de moveis de qualidade e sustentáveis. A VALE é parceira importante também no processo, pois esta madeira, quase um rejeito da mineração, tornará  na forma de moveis com enorme valor agregado, seja pela resistência da Coopmasp, seja pela importância que este material vai assumir, transformando-se em novos produtos.